Aproveitei esta paragem de campeonato para trazer aos leitores deste blog uma entrevista EXCLUSIVA com João Paulo, o jovem técnico actualmente responsável por orientar o Riachense, da Série B do Campeonato Distrital de Futsal de Santarém.
XAVIER COSTA: Quem é o João Paulo?
JOÃO PAULO: Esta é aquela pergunta que mais me custa responder porque não gosto de falar de mim próprio, mas cá vai, tenho 32 anos, moro em Martinchel, nascido em Tomar, sou treinador de Futsal há 7 anos, tenho o curso de treinador nível 1. A nível pessoal considero-me uma pessoa acessível, extrovertida, ambiciosa, organizada, discreta, etc.
Como treinador, que é o que mais importa para aqui, sou um treinador amigo dos jogadores, de fácil relação, exigente, organizado, moderno, um bom profissional (posso dizer que nestes quase 7 anos, que levo como treinador, se faltei a 5/6 treinos foi muito), que adora o futsal e treinar.
XC: Como chegou a treinador do Riachense?
JP:Bem, foi de forma algo inesperada porque tinha acabado de sair do CADE, tinha já recusado alguns projectos noutros Clubes e pensava mesmo em fazer uma pausa na minha carreira de treinador, pelo menos até Dezembro ou mesmo fim da época de Futsal, com o objectivo de ir fazer uns Estágios a algumas equipas e tirar o nível 2 de Treinador de Futsal, de forma a enriquecer o meu conhecimento quer pessoal quer Profissional. O convite para abraçar este projecto do Riachense surgiu a 4 dias do inicio da época 2008/09 por parte do Sr. Carlos Lopes, logo me pareceu interessante e até pela vontade que a Direcção tinha em contar comigo. Aceitei o desafio e agarrei na equipa a 2 dias de começar o campeonato, consciente de todos os riscos que o mesmo me poderia trazer (plantel, falta de pré-época, etc.).
XC: O que lhe foi pedido para esta temporada pela direcção?
JP:Pediram-me uma época tranquila, que continuássemos a evoluir como equipa, bem como no futsal por ela praticado. Que nos afirmássemos como uma das boas equipas no Futsal em Santarém e claro ficar nos 3 primeiros lugares da classificação e ir à final-four da taça (objectivo que não conseguimos concretizar).
XC: O título, é por certo, um objectivo que passa pela cabeça da direcção, do João Paulo e dos próprios atletas! Acha possível consegui-lo num futuro próximo?
JP: Sim claro, até porque estamos a falar de um dos grandes clubes a nível distrital habituado a ganhar e no futsal não será diferente. Mas apesar de todos teremos consciência que o Riachense Futsal tem uma grande equipa, também sabia que a restruturação necessária que fizemos no plantel nos poderia trazer em alguns jogos ou durante a época alguma instabilidade de resultados e consistência no nosso futsal, visto que do plantel da época anterior só ficaram 5 atletas, ou seja, entraram 8 atletas novos e onde a juventude impera há irreverência, riscos, etc., mas toda esta restruturação do plantel foi a pensar em trazer qualidade ao nosso futsal, em atacarmos o título distrital, se não for nesta época será na próxima, para a qual toda a equipa técnica e direcção já estão a trabalhar.
XC: O Riachense foi desde o início da temporada apontado como o clube com um dos melhores plantéis do distrito! Como se conseguiu reunir um tão bom lote de jogadores a defender o mesmo emblema?
JP: Em primeiro lugar, foi um trabalho de conjunto bem conseguido entre equipa técnica e direcção também com grande esforço por parte da Direcção do Futsal do Riachense, porque inscrever atletas onde, na sua maioria, são transferências foi preciso um grande esforço financeiro. Em segundo lugar, foi o facto de eu ter um grande conhecimento do futsal e dos atletas a nível distrital, que facilitou essa escolha, mas não foi só o critério de serem bons jogadores que foi tido em causa, tivemos o cuidado de procurar jogadores que “trabalhassem”, e posso-lhe dizer que deve ser muito raro, em muitas equipas, poderem contar nos treinos com a quase totalidade dos jogadores, por exemplo, o plantel do Riachense treina três vezes por semana e conta com 13 jogadores e posso dizer que só por uma ou duas vezes tive menos de 10 atletas no treino, e por motivos de lesões. É um plantel do qual tenho muito orgulho e satisfação em trabalhar, já agora deixo uma palavra de agradecimento a toda a Direcção do Futsal do Riachense, por nunca nos deixar faltar nada, e nos treinos estarem sempre presentes, por vezes com 4 ou 5 directores, a apoiar-nos.
XC: Não obstante esta qualidade, a temporada começou algo tremida, com uma derrota frente ao Tramagal, que tinham goleado na pré-temporada e uma eliminação prematura na Taça Ribatejo frente aos estreantes da Sabacheira! Chegou a temer que a temporada fosse um desastre e o projecto ficasse morto à nascença?
JP: Nós sabíamos que não éramos invencíveis e que durante a época iríamos perder pontos, talvez por tudo o que se falou na pré-época do Riachense e de todas as contratações, essas mesmas derrotas causaram forte impacto tanto no grupo, bem como no Futsal do distrito. Mas nunca foi posta em causa a qualidade do plantel e de um projecto ambicioso. Importa referir que, se há resultados que são importantes para o grupo, estes vieram em boa hora porque permitiram que o grupo “assentasse bem os pés no chão” e tornasse o balneário ainda mais forte do que já o era.
XC: O que ambiciona o João Paulo para o seu futuro como treinador? Onde pretende chegar?
JP: Bem, como treinador de Futsal não fujo à regra de querer um dia chegar a um patamar superior, mas apesar de ser ambicioso, é algo que não afecta no dia-a-dia. Todos que comigo trabalham (adjuntos, plantel, direcção) sabem a minha forma de estar e trabalhar, por isso estou tranquilo.
XC: Quem é o técnico que mais admira? Porquê?
JP: Bem, seria ingrato para mim apenas referir um, porque admiro 2 ou 3. O Mister Paulo Fernandes (treinador do Sporting), porque foi ele um dos formadores do meu curso e o facto de ser uma pessoa que transmitiu muito conhecimento de futsal e também pelo trabalho que tem realizado ao serviço do Sporting.
O Mister Nuno Dias (treinador do Instituto D. João V), por ser uma pessoa acessível, com bons métodos de trabalho, dinâmica que dá aos treinos e conhecimento, e porque também passei com eles duas semanas nas quais aprendi muito.
Já agora aproveito a pergunta também para referir outros dois grandes treinadores de Futsal que me têm ajudado, ensinado muito nesta minha carreira de treinador, Mister João Venâncio e Mister Carlos Costa.
XC: Tem alguns jovens atletas com qualidade comprovada no distrito, como por exemplo o Hugo Ramos e o Fã! Pensa que podem ambicionar voos mais altos?
JP: De facto, são dois jovens de muita qualidade, apesar de existirem no plantel do Riachense outros, e a sua recente chamada à Selecção Distrital Sub21 AF Santarém, veio a confirmar todo o seu potencial, mas são jovens que têm ainda muito para aprender e trabalhar, para um dia se tornarem completos e grandes jogadores de Futsal.
XC: Se pudesse escolher um qualquer jogador mundial para o seu plantel, quem escolheria? Porquê?
JP: Bem, esta é uma pergunta à qual é difícil responder, visto que para mim há muitos e bons jogadores de futsal a nível mundial, mas talvez e “como quem não pede não ouve Deus”, escolheria dois, o Schumacher e o Ricardinho, por serem muito completos e por trazerem ao jogo aquilo que leva as pessoas a um pavilhão “a magia” em cada jogada.
XC: Até este momento, analisando as duas séries, quem elege como maiores supresas positivas e negativas?
JP: Na série A, pela positiva, destacaria o ACR Carvalhos de Figueiredo, pelo seu excelente desempenho e estabilidade de resultados que tem vindo a conseguir em relação à época passada também fruto de ter mantido quase a mesma estrutura, pela negativa, o GD Freixianda, por estar muito longe da equipa a que nos habituou em épocas transactas.
Na série B, pela positiva, o UVA, pela qualidade do futsal que apresenta, e pela negativa, GFAchete, por ter vindo do Nacional esperava-se que estivesse a fazer um melhor campeonato.
XC: Fala-se constantemente no distrito sobre a qualidade das arbitragens. Partilha da opinião de que são de fraca qualidade?
JP: Sim, de facto existem poucas duplas de arbitragem com qualidade no distrito e, digo mesmo que, se nas equipas, e no futsal por elas praticado, se tem notado que há evolução e melhoria no trabalho realizado, já na arbitragem penso que não houve essa evolução, nota-se que não há um saber estar, castiga-se por tudo e por nada, estragam-se bons jogos de futsal, muito por falta de sensibilidade e etc.
XC: Vamos jogar ao “faz-de-conta”! Imaginemos que o João Paulo era o responsável pelo futsal distrital com total autonomia. Mudava alguma coisa na organização do futsal do distrito?
JP: Claro que sim, até porque se o anterior modelo não era bom, este agora é muito pior, passo a explicar, em termos financeiros é muito difícil para as equipas cativarem patrocinadores para um campeonato que dura pouco mais de 4 meses, logo, se não há patrocinadores não há receitas e as despesas cada ano aumentam, e se há um decréscimo todos anos a nível de equipas este é o principal factor. A nível competitivo, é um modelo ingrato, injusto para muitas equipas que, no início da época apostam forte e na subida, porque basta terem um mau dia e podem nunca mais lá chegar. O facto de o campeonato estar dividido em duas séries pode nunca ser justo já que, para mim, a série B tem equipas muito mais equilibradas e fortes. Eu acho que o modelo idêntico ou igual ao da 1ª divisão seria muito mais adequado se não fosse possível, pelo menos que se fizesse uma final-four. Outra coisa que mudaria era que os jogos passassem a ter cronometristas, porque há jogos no nosso distrital que de tempo útil de jogo não chega aos 30/40 minutos, depois quando o campeão distrital sobe ao nacional depara-se com jogos que podem chegar a durar 90 minutos e é notória a falta de ritmo competitivo.
XC: Está a começar o Europeu de Futsal, acha que Portugal pode ambicionar conquistar o título mesmo sem contar com Ricardinho?
JP: Sinceramente, apesar de achar que a nossa Selecção está dotada de grandes executantes, um Ricardinho faz falta em qualquer selecção, e o porquê todos sabemos. Penso que Portugal vai fazer um bom Europeu, mas insuficiente para conquistar o título.
XC: Para acabarmos esta entrevista, aposte no seu vencedor para o campeonato distrital e para o campeonato nacional de futsal.
JP: Visto que o nosso campeão distrital vai ser decidido numa final a duas mãos (que acho uma “aberração”) onde são dois jogos onde tudo pode acontecer acho que na mesma estarão presentes o CAD Coruche e Os Patos, mas a minha aposta vai para o CAD Coruche, por tudo aquilo que já vi e pelo futsal que praticam, são uma equipa mais “madura” e equilibrada e que não vão deixar fugir esta oportunidade.
Quanto ao campeão nacional sou suspeito, visto ser o meu clube de coração, mas aposto no SL Benfica.
aproveito para dizer aqui que o pouco tempo que “trabalhei” com o mister joao paulo foi curto, mas deu para reconhecer o seu trabalho e dedicaçao ao riachense . os meus parabens . e uma boa sorte para o campeonato. Ex guarda redes riachense: Rafa
parabens joao paulo é uma honra para a freguesia de martinchel e uma mais valia gosto de boas noticias
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